Camocim – Rotas dos Ventos

Os ventos entregam sem querer a obra-prima da canção natural…
Eles sussurram no íntimo sem abalo até eu me apaixonar,
Proclamando ante os escritos do céu sem igual,
O recanto do mar recorrente,
O doce soprar.

Espero que tu afoites os teus braços para vencer os desafios, ó Camocim!
Pois os teus pescadores são radiantes dias ensolarados.
Tu és a parada do sol envolvente, o prenúncio das belas noites.
Tu tens sabor de sal à moda dos grandes navegantes,
És a perfeita nutrição: o zéfiro para acalmar.

Camocim, rotas dos ventos,
Forte ‘pote de barro’ bem definido pelo oleiro na imensidão,
Real vizinha da Praia das Almas
Mapas e encontros,
Onde os ventos navegam sem solidão no destino dos corsários até hoje não esquecidos.

E eu, como um simples passageiro a sorrir,
Sem a Pajero, curvo-me sob o céu que certamente me escuta e
Diante da beleza que levam a Jeri,
Apenas ouço a minha oração receosa para nada por aqui sugerir,
Pelágico a perder de vista…

O sol se derrama sobre as jangadas provedoras,
Velas brancas com fragrância de peixes a pescar.
À noite, feixes como estrelas no mar a sorrir, pátrias deslizantes nos seus próprios silêncios…
Esperanças dos povos para a perfeita nutrição:
Hialinos como cristais.

A pedra marinha fala a mim e à beira-mar com fascinação:
─ A cidade não para de ser conhecida pelos viventes!
São rotas que obstinam e pirateiam as tristezas escondidas e
Legitimam os sonhos entre os arborescentes colunares a dançar e
Tudo se chama, Camocim, a bela cearense-nordestina.

MARINHO, Robert. CAMOCIM — ROTAS DOS VENTOS. — Publicado por Prodobem.art.

Descobrindo um pouco desta obra literária.
O poema sugere uma celebração de Camocim, cidade localizada no extremo noroeste do estado do Ceará, na região intermediária de Sobral. O protagonismo do poema está vinculado aos ventos que estabelecem equilíbrio espiritual, simbolizando força, leveza e harmonia, ocasião em que o eu lírico descreve Camocim como algo precioso, pensado e moldado pelo Oleiro divino, reforçando a ideia de destino pretendido desde muito antes. Ele se posiciona como um simples passageiro que se curva diante da beleza do mar, céu e das dunas e sugere que a beleza da realidade cearense consegue saquear as tristezas — ele utiliza: “piratear” e validar os sonhos, transformando o cenário geográfico em um refúgio emocional e de esperança.

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