Posso não ser um “oftalmo” de gente,
Não saber olhar,
Nem ser uma barreira de contenção permanente,
Mas sou uma alcova que enxerga o vazio por trás do teu triste olhar.
Posso não ser doutor,
Não saber medicar,
Nem compreender o medo por trás da farda de um soldado amador,
Mas sou estância para repousar a tua dor no deitar.
Posso não ser uma orquestra brilhante,
Não saber tocar,
Nem soar o som de ataque vibrante,
Mas sou câmara harmônica que deita as tuas dúvidas antes do levantar.
Posso não ser um guerreiro valente,
Não saber pisar o caminho certo de mangue,
Nem promover guerras terrais,
Mas sou habitáculo pacífico por não morar em terra de sangue.
Era tudo o que os homens não deveriam ser… orientais ou ocidentais,
Mas uma bandeira de paz para um novo amanhecer,
Porque, sem ninguém saber, sou eu o amparo, ouvinte sem nunca aparecer.
Simplesmente, um quarto de hotel.
MARINHO, Robert. CONFISSÕES DE UMA ALCOVA. — Publicado por Prodobem.art.
Descobrindo um pouco desta obra literária.
O poema sugere um relato íntimo e secreto, enquanto um recanto, muitas vezes testemunha momentos de vulnerabilidade humana. Por força da personificação, a alcova dialoga com o hóspede viajante. Então, “Confissões de uma Alcova” é um poema tocante que nos convida a refletir sobre a importância dos espaços de recolhimento em nossas vidas. Ele celebra a discrição e a empatia de um local que testemunha e ampara as fragilidades humanas, como os medos, as dores, as dúvidas e as guerras internas e externas, oferecendo a você “viajante” um porto seguro para a alma. A revelação final é uma poderosa reflexão sobre como a profundidade da experiência humana pode ser encontrada nos lugares mais inesperados e aparentemente banais, um quarto de hotel.
